Textos - O amor virtual


O AMOR VIRTUAL
por Onete Ramos Santiago


O amor já foi romântico em excesso, passou a ser mais prático e real e hoje já é até virtual.

Muitos pais estão preocupados com isto, mas, não há motivos para maiores angústias, se as coisas são cercadas de bom senso. Aliás, o bom senso é o grande parâmetro do mundo. Com ele, tudo funciona. Eu mesma já vi e testemunhei boas amizades e namoros que estão se desenvolvendo muito bem começarem via Internet.
 
É claro que a rede é um espaço livre da fantasia e as pessoas, inicialmente, não se mostram como são. Funciona muito o lúdico e a idealização e, na hora que as pessoas passam do virtual para o real, claro, estão sujeitas a decepções. Mas, isso se cobre com o referido bom senso acima comentado. 
 
É claro também que muitas vezes, o uso só que exclusivo da Internet para namorar pode sinalizar jovens isolados com medo de enfrentar o mundo; nesse caso, a Internet funciona como uma muleta de proteção contra a solidão. Mas, não é que a Internet vá criar o problema; o problema da solidão e do medo é anterior; a Internet apenas é o lenitivo usado para despotencializar esse sentimento de ser isolado.
 
Por outro lado, a Internet tem trazido e possibilitado o amor globalizado. O mundo tornou-se menor também para os amores e tem desafiado os jovens a vencer várias barreiras “entre elas, à distância, as diferenças culturais, diferenças de valores e identificações” coisas importantes nos relacionamentos. Uma estudante brasileira que namora um americano, entrevistada pelo jornal O Estado de São Paulo (página Comportamento) fala destas diferenças: "Acredito que pelas diferenças de cultura, a relação não irá evoluir para nada mais sério. Sou muito racional, diz, acho que dá até para namorar, mas, não para casar, conclui." ·. 
Já uma mexicana conta que quando se encontrou com um canadense com quem trocava mensagens, que ele não correspondeu à imagem que ela fazia dele. 
 
“Nas mensagens, era muito expressivo e aberto, mas, pessoalmente, era calado, tímido e até um pouco frio”. Enfim, o relacionamento não deu certo e diz: "estava apaixonada por aquele que me escrevia na Internet e não pelo que me encontrei ao vivo", conclui. Claro, isso é possível de acontecer porque as pessoas tendem a projetar as suas idealizações amorosas no outro.
 
"Quando você parte de um amor virtual para uma relação face a face, as diferenças vão prevalecer”, como diz o sociólogo José Augusto Rodrigues, do Laboratório de Estudos do Ciberespaço na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
 
Mas, sobretudo, o que prevalecerá sempre é a expectativa. No fundo de cada pessoa que está à procura de um outro, a busca é pelo encontro total e pelo estado de enamoramento que é o estado mais desejado pelo ser humano. 
 
Os relacionamentos cibernéticos não fogem a esta regra. A esperança é que, de repente, o seu Cupido tenha mesmo que, por predestinação, vir pelo espaço. O que as pessoas mais querem é se comunicar e há uma pobreza muito grande de canais de pressão. Então, se abolimos convenções que nos afastam dos outros e racionalizamos a culpa que, afinal, é outra criação cultural, os chats estão aí para abrir mais um caminho para as pessoas se encontrarem e se amarem.