Textos - Medo de dirigir


O MEDO DE DIRIGIR

Só de se imaginar no meio do trânsito, guiando um carro, te dá um frio na barriga? Você tem medo de bater o carro, de machucar alguém ou de fazer algum tipo barbeiragem e, que todos vão perceber e criticar? Tenha calma. Nem tudo está perdido. Existem muitos tratamentos que ajudam a superar essa fobia. E tenha certeza: Você não é a única pessoa a passar por isso. A procura por especialistas nesta área cresce cada vez mais e cerca de 90% das pessoas que buscam auxílio profissional são mulheres.

Mais grave do que supõe a maioria das pessoas, essa fobia compromete a auto-estima em níveis elevados, causando enormes transtornos aos seus portadores. "Me sinto sem liberdade para ir e vir e, às vezes, até sonho que estou dirigindo na sala da minha casa", depõe a secretária "D", que é proprietária de um autêntico "carro de garagem". O seu trauma vem de um acidente banal dentro do estacionamento. "Tentei várias vezes superar essa fobia, mas quando entro no carro, trava tudo", resigna-se.

Quem não dirige, passa a depender de amigos, táxis ou do desgastante transporte público. Para a psicóloga comportamental Neuza Corassa, especializada em medos e fobias, o medo de dirigir poda a liberdade das pessoas e interfere na sua liberdade. "Na maioria dos casos, a fobia atinge pessoas extremamente responsáveis, detalhistas e inteligentes e podem causar um processo doloroso de baixa auto-estima, insegurança e outros conflitos internos", afirma.

O primeiro passo para superar a fobia é não ter vergonha de admitir que convive com esse tipo de medo. Diversos motivos levam a este comportamento, entre eles fatores históricos, culturais, o medo do desconhecido e as inovações tecnológicas. Mas também, podem ocorrer por razões inconscientes, sensações que não foram perfeitamente resolvidas. "A resposta está no histórico de cada uni. É preciso identificar o contexto em que essa fobia foi adquirida e enfocar as circunstâncias associadas a ela", explica a psicanalista Vírginia Leal, salientando que procurar uma ajuda qualificada é o primeiro passo para fazer as pazes com o volante.

Um bom combustível para acabar com o problema é a necessidade. A primeira coisa a ser considerada é visualizar as transformações que ocorrerão quando você guiar seu próprio carro. A sensação de liberdade, o acréscimo na autoconfiança e o aproveitamento maior do tempo, longe das "caronas", dos táxis e coletivos. "É preciso verificar como está o volante da sua vida para entrar bem no volante do carro. Repensando o ato de dirigir e mudando de atitude perante as quatro rodas, tudo se tomará possível", diz Neuza Corassa.

DICAS:

- Não brigue com o medo de dirigir. Vá conquistando-o etapa por etapa. Desde ligar o carro, dominar sua garagem, depois seu bairro e assim, por diante.

- Aprenda a identificar os sinais de trânsito. Mesmo os que já dirigem precisam deles para se orientar.

- Não existe mágica que faça alguém acordar e sair dirigindo. E necessário dedicar um certo tempo para aprender, como qualquer outro aprendizado na vida.

- Vencer o medo de dirigir não depende de força de vontade e sim, de mudança de comportamento. No trânsito não existe doutorado.
Quando você finalmente domina o carro, você já passa a fazer parte do mundo dos motoristas.

 - Descomplique. Não fique pensando em todos os lugares que você quer ir, ao mesmo tempo. Comece resolvendo cada um de cada vez.

- Não precisa dirigir para todos os lugares. Dirija apenas quando quiser ou precisar.

- Não precisa guardar nomes de ruas, oriente-se por pontos de referência.

- Desacelere. Não fique se imaginando corno reagiria no lugar dos outros, no trânsito. Calma, tudo tem seu tempo.

- Quando estiver dirigindo, olhe em volta e veja que os outros motoristas são iguais a você, assim não se sentirá uma intrusa no trânsito.

- Dirigir é urna tarefa de movimentos repetitivos, portanto não menospreze a sua capacidade de fazê-lo.

 - Coloque o ato de dirigir na sua lista de prioridades.

- Procure saber o que fazer caso se envolva em algum acidente. Não tenha medo, todos estão sujeitos a isso.

- Não dirija para satisfazer a expectativa dos outros e sim a sua própria expectativa.

- Não espere a sua fada madrinha venha te ajudar a dirigir. Faça a sua parte.

Acredite que você tem capacidade para tocar o seu barco. Segure o volante e não deixe ao acaso a condução da sua vida.

Fonte: Livro "Vença a Medo de Dirigir" de Neuza Corassa

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