Textos - A mulher e o casamento


A MULHER E O CASAMENTO
por Olga Tessari


O amor é a união de duas pessoas individualistas, mas não egoístas, onde ninguém depende de ninguém.

Para que o casamento dê certo, é preciso responsabilidade, obrigação e disciplina. Convivência é entregar-se sem máscaras perante seu parceiro.

Casar significa aceitar a responsabilidade pela nossa felicidade ou por momentos de infelicidade.

Não esperar que o outro nos torne feliz, tampouco, culpá-lo por nossas frustrações.

O casamento é um ato humilde e sublime: compartilhar a vida, acordar cedo para trabalhar, fazer almoço, cuidar dos filhos, viver dentro de um orçamento, levar o lixo para fora de casa, arrumar as camas, varrer a casa, conversar depois do trabalho, encorajar o parceiro no momento difícil, servir o outro com amor e claro, namorar bastante!

O amor se constrói com o outro no relacionamento. Não é necessário se manter borbulhando como um vulcão prestes a explodir, para manter um casamento. Um casamento não pode ser vivido como um drama grego, uma peça de teatro.

A causa principal da falência de um casamento é a falta de intimidade, e não estamos falando de um bom relacionamento sexual, ou perguntar "como foi seu dia"; isto está longe de refletir a comunhão perfeita. A intimidade surge quando o casal é capaz de comunicar-se aberta e honestamente, dividindo não só carinhos, mas segredos, conflitos pessoais e experiências. A intimidade do casal é a base do casamento, e isto não tem nada a ver com a falta de respeito. Ser íntimo significa não ter receio de mostrar o que se é, mesmo em relação aos defeitos.

A união pode ser divina, à medida que mesmo conhecendo as fraquezas do outro, não cedemos à tentação de criticá-lo, ou pode se tornar uma batalha quando se faz exatamente o contrário. O casamento significa que cada um é, não extensão, mas complemento do outro.

Outro aspecto importante é a mulher se dar conta que impossível atingir a perfeição. Não dá para ser uma excelente dona de casa, mãe e profissional ao mesmo tempo. É claro que você quer sempre fazer o melhor, mas é impossível. Até aquelas mulheres que decidem ser apenas donas de casa, percebem que não atingem o seu objetivo final que é, por exemplo, deixar a casa impecavelmente limpa ou arrumada. Quem consegue isso?

Costumamos receber no consultório "dois tipos de mães". Existem aquelas que resolveram ser 100% mães; aí, quando os filhos crescem e vão cuidar da sua própria vida, acabam entrando em depressão porque não sabem mais o que fazer. Por outro lado, tem aquelas que trabalham fora e sentem a culpa de não estarem sendo boas mães.

Acreditamos que é possível conciliar a vida profissional com a familiar: A mulher precisa aprender a reservar um tempo diário para os filhos, o importante não é quanto tempo ela fica ao lado deles, mas sim a qualidade deste tempo. Às vezes, tem muita mãe de período integral que dá menos atenção ao filho do que aquelas que trabalham fora, pois, cada vez que um filho a chama, ela responde: agora não dá, estou lavando louça, estou fritando bolinhos, etc... Nem que seja meia hora por dia, o importante é seu filho perceber que naquele período você dará atenção somente a ele.

Na atual realidade econômica do país, muitas mulheres estão sendo obrigadas a trabalhar por necessidade, para ajudar o marido no orçamento familiar, por isso, ela precisa aprender a delegar funções, como ter uma faxineira, por exemplo...Mas não adianta ficar se lamentando que ela não limpa a casa como você o faria... Também é fundamental dividir as responsabilidades domésticas com o marido.

Outro conselho é que as mulheres não esqueçam de cuidar de si próprias. Normalmente acabam colocando os filhos, o marido, a casa, o trabalho na frente, se deixam de lado e isso pode gerar depressão. Aprenda a dividir o seu tempo. Não existe mal nenhum se um dia, por exemplo, ao invés de preparar um jantar, optar por um prato congelado e utilizar esse período extra para ler um pouco aquele livro que você nunca consegue terminar.